Living in the Residence
27 de Março de 2017.
Living outside
30 de Março de 2017.
Tudo começou numa realidade que muitos jovens madeirenses conhecem: o desemprego.

Depois de uma temporada no Reino Unido, estava em casa há cerca de 4 meses. Estar em casa é bom: dormir até ao meio-dia, sair com os amigos, ver Tv, jogar Playstation… No entanto, o dinheiro é como um poço, se tiramos água e não voltamos a encher, ele fica seco.

Resolvi procurar por alguma coisa, mas algo diferente. Informaram-me sobre o programa Serviço Voluntário Europeu, nunca me tinha passado pela cabeça fazer tal coisa, mas devo dizer que se soubesse mais cedo já teria participado, sem dúvida. Em Dezembro, quando recebi um e-mail a informar de uma vaga para um projeto na Moldávia, o meu primeiro pensamento foi “onde ‘raio’ é a Moldávia? Eu quero é ir para Espanha ou Itália!” Muito rapidamente, fui ao Google e vi que era o pais mais pobre da Europa.

Logo pensei “não posso ir para lá, pode não ter supermercados nem farmácias…”. No mês de Dezembro, andei num tipo de limbo: vou, não vou, vou, não vou… Mesmo assim, não pensava no valor que o projeto podia me ensinar, só pensava que seria um ano fora da Madeira sem depender de ninguém e que, no fim, teria um diploma europeu que me podia abrir algumas portas pela Europa.

Então depois de uma reunião na Associação Académica da Universidade da Madeira e de me ser explicado melhor em que consistia o projeto, disse que sim, mas mesmo assim estava receoso de embarcar na aventura do SVE.

Tudo foi tratado pela Associação Académica e a associação de acolhimento aqui na Moldávia, (ADVIT), e, depois, chegou o dia de embarcar. Foram vinte e uma horas de viagem. Fui recebido no aeroporto pela minha mentora e o meu primeiro pensamento foi “onde me vim meter?” Parecia que tinha voltado para os anos 90, com o aeroporto cheio de pessoas a “assediar” para apanhar um taxi, cada um fazendo um preço mais barato que o outro, e lá apanhei um. Depois foi altura de conhecer a minha família de acolhimento, um casal de meia idade, muito simpáticos mas que só falam russo.

Por isso, a comunicação é impossível, mesmo hoje, dois meses depois, só sei umas quatro palavras em russo, e os meus primeiros sentimentos foram de solidão e dúvida. Porque deixei a minha ilha linda cheia de sol por este lugar frio e cheio de neve, para viver com pessoas que não conheço, não falam nem inglês? Tudo me parecia cinzento, muitos prédios degradados, estradas cheias de buracos, chão escorregadio por causa do gelo. Resumindo, só estava a ver o lado negativo do SVE.

Mas tudo mudou quando fui até à instituição onde faço voluntariado. Ver aquelas crianças e jovens fez-me ver tudo de uma maneira diferente. Porquê reclamar da minha vida, eles com tão pouco são tão felizes, mesmo tendo pouco eles sempre partilham nem que seja um sorriso. Então, isso só nos faz questionar nós próprios, porque estava a ser tão supérfluo?  O prédio é tão velho, ainda posso ficar preso no elevador, mas isso tudo já desaparece quando vemos pessoas em piores condições que nós, ao menos tenho um quarto quente. Todos os dias da minha janela, vejo pessoas a esgravatar os contentores do lixo à procura de alguns restos mas ao passar por elas, elas sorriem, estão dispostas a ajudar e certamente não estão sempre a reclamar da vida.

Passei a aceitar e a guardar cada coisa como uma lição que vou carregar sempre comigo, posso dizer que sou feliz na Moldávia, é tão bom podermos fazer alguma coisa pelos outros e cada dia é uma nova lição de vida. Então hoje questiono porquê Espanha, porquê Itália? Lá não ia ver nada que já não tivesse visto, mas aqui tudo é tão diferente que só serve para me ensinar a dar mais valor a vida, porque ajudar os outros e não receber nada em troca, é tão bom.

Diogo Junqueira, voluntário madeirense na Moldávia.

Sobre o programa Erasmus+

O Erasmus+ é um programa da Comissão Europeia que abraça os campos da educação, da formação, da juventude e do desporto durante o quadro europeu 2014-2020. Uma das grandes vertentes dessa acção é a cooperação nas suas áreas de actuação, contribuindo para uma Europa plural e rica.

Entre os vários objectivos do programa, constituem as prioridades: os objectivos presentes na Estratégia Europa 2020, incluindo o grande objectivo em matéria de educação; os objectivos do Quadro Estratégico para a cooperação europeia no domínio da educação e da formação 2020 (EF 2020), incluindo os correspondentes critérios de referência; o desenvolvimento sustentável de Países Parceiros no domínio do ensino superior; os objectivos gerais do “Quadro renovado da cooperação europeia no sector da juventude” (2010-2018); o objectivo de desenvolvimento da dimensão europeia no desporto, em particular no desporto de base, em consonância com o plano de trabalho da UE para o desporto; a promoção dos valores europeus, nos termos do artigo 2.º do Tratado da União Europeia.

Para que esses objectivos possam ser alcançados, o Erasmus + materializa-se em várias políticas de acção. A acção 1 (KA1), diz respeito a mobilidade de indivíduos, a acção 2 (KA2) relaciona-se com a cooperação para a inovação e a troca de boas práticas e a acção 3 (KA3) refere-se ao apoio às políticas de reforma.

Sobre o Serviço Voluntário Europeu

Desde 1991 a Associação Académica tem desenvolvido uma ampla política de incentivo ao voluntariado. Em 2013, para ampliar a sua acção nesse campo, iniciámos a nossa acreditação enquanto entidade que recebe, envia e coordena projectos Erasmus +, no Serviço Voluntário Europeu, tendo recebido o primeiro voluntário, no âmbito de um projecto da KA1, em 2014. Temos desenvolvido um grande trabalho para que os jovens madeirenses possam participar em várias iniciativas na Europa, e temos proposto vários projectos para permitir que os jovens de vários países possam trabalhar nos projectos da Associação Académica da Universidade da Madeira, sempre considerando que o principal objectivo de voluntariado é beneficiar as comunidades e localidades onde desenvolverão as suas actividades, através do seu trabalho voluntário e sem qualquer remuneração financeira. Acreditamos que o Serviço Voluntário Europeu é uma ferramenta rica em vivências e experiências, onde todos os candidatos aprovados terão o privilégio de participar nesses projectos, podendo beneficiar as localidades e comunidades onde estão inseridos.

A Associação Académica da Universidade da Madeira tem recebido, desde 2013, vários voluntários que têm colaborado em diversas actividades e iniciativas. Além de poderem desfrutar de uma fantástica experiência que irá contribuir para o seu crescimento a nível pessoal e profissional, têm a oportunidade de interagir com os vários voluntários da Universidade da Madeira e contribuir, de forma única, para o desenvolvimento da comunidade em que estão inseridos.