Adventure time
14 de Abril de 2017.
Sweet Island of Madeira
18 de Abril de 2017.

Muito gelo, poucos pinguins

Um projecto magnífico, num país surpreendente, repleto de pessoas maravilhosas.

Começo por apresentar-me. Os meus pais resolveram chamar-me Diogo porque não gostavam de nomes como Sandro ou Joel. Segundo reza a lenda, a minha madrinha concordou e assim ficou. Como muitos de nós, nasci em São Pedro, no Funchal, e confesso ter utilizado, de forma ilegal, durante parte da minha existência, uma pequena cópia do bilhete de identidade – Sim, aquela que cabia na carteira. Lembro-me perfeitamente quando os autocarros mudaram as zonas 1- 2- 3, substituindo-as por um cartão com custos adicionais aos preços das viagens. Antes, para a zona 1 custava menos do que para a zona 3, agora o preço é igual, a diferença é que em vez de se ouvir tæk, ouve-se beep. Está tudo bem, os dinos não reclamam, em estilo, meia branca e sandália, ano após ano, na mesma curva, espantam-se com a rota do 31. No regresso, dizem que o jardim é bonito e que irão voltar. Maravilha, quem não gostaria de dizer o mesmo? Satisfação e conforto numa ilha tropical?

Não obrigado, não sou turista, sou licenciado – da geração estágio – futuro hipotecado. Escolhi sair do casulo, é altura de voar, deixar a crise, a política, a economia, os vizinhos, as asneiras. Contextualizando, depois de cinco estágios, numa realidade balanceada entre o desemprego e o trabalho precário, decidi dedicar um ano ao voluntariado. Há algum tempo que considerava a hipótese de realizar o Serviço de Voluntariado Europeu (SVE), faltava-me a corajem. Fiz muitas pesquisas, perdi muito tempo até que encontrei um projecto que realmente se aliava aos meus interesses profissionais e pessoais. Resolvi arriscar, enviei os formulários e fui selecionado entre muitos candidatos.

Escolhi sair do casulo, é altura de voar, deixar a crise, a política, a economia, os vizinhos, as asneiras. Contextualizando, depois de cinco estágios, numa realidade balanceada entre o desemprego e o trabalho precário, decidi dedicar um ano ao voluntariado

Para ser franco, pouco pensei sobre a vida nos países nórdicos. O conhecimento que tinha era escasso. Na minha imaginação pairavam imagens de frio, muito frio, gelo, olhos azuis, céus cinzentos, desenvolvimento e crescimento económico. Após algumas experiências no Médio Oriente e nos Balcãs, estava inclinado em seguir para o Azerbeijão. Em poucos meses, os meus planos mudaram, a minha vida alterou-se. Deixei as queijadas, a laranjada, a poncha, os calções, as chinelas, o sol e embarquei numa nova aventura.

No primeiro dia de Outubro, após alguns transbordos, aterrei finalmente em Keflavik. Em solo Islandês já se fazia noite. Segundos depois de abandonar o aeroporto, um estranho fenómeno pairava no ar. O céu continuava cinzendo e escuro, tal e qual, como o tinha imaginado mas havia algo mais. Umas luzes no ar, a um ritmo alucinante, alteravam de forma e mudavam de sítio. Uma espécie de vento, vísivel, de cor verde – Aurora boreal em primeiro plano, natureza na sua plenitude. Senti, irremediavelmente que tinha feito a escolha certa.

De momento, resido em Reykjavik, o grande centro cosmopolita da Islândia. Nesta cidade, vivem cerca de 120 mil habitantes de um todo de 320 mil. Partilho uma casa modesta com outros voluntários e estagiários na zona de Vesturbær que se encontra a sensivelmente 15/20 minutos a pé do centro da cidade. É um bairro muito acolheder e sobretudo sossegado, um espelho da vida em geral na Islândia.

A ONG em que trabalho está ligada ao turismo sustentável. É uma rede internacional, espalhada entre 90 países que conta com 4000 hostels/albergues jovens. Particularmente, a associação Islandesa Farfuglaheimilin/Hostelling International-Iceland trabalha com 33 hostels distribuídos por todo o país. A sua principal missão é promover o turismo resposável e sunstentável. Neste sentido, surge o meu projecto Life at the Hostels. Trato de criar conteúdos múltimedia relacionados com as práticas ecológicas dos hostels. Durante o inverno, trabalho em Reykjavik, nos três hostels da capital e a partir de abril, começo a viajar pelos restantes 30, espalhados de norte a sul do país.

Até ao momento estou a ter uma experiência única quer em termos pessoais e profissionais. O facto de o SVE proporcionar uma forma de aprendizagem não formal, completamente não linear, é o ideal para quem ambiciona aprender sem manual de instruções; Learning by doing. Nos hostels de Reykjavik é possível encontrar um ambiente inspirador que se evidência através dos diferentes tipos de eventos e dos mais diversificados públicos e hóspedes. Recentemente, criámos uma página no facebook (lifeatthehostels) para divulgar o projeto de voluntariado e inspirar outros semelhantes.

Diogo Banganho, voluntário madeirense na Islândia.

Sobre o programa Erasmus+

O Erasmus+ é um programa da Comissão Europeia que abraça os campos da educação, da formação, da juventude e do desporto durante o quadro europeu 2014-2020. Uma das grandes vertentes dessa acção é a cooperação nas suas áreas de actuação, contribuindo para uma Europa plural e rica.

Entre os vários objectivos do programa, constituem as prioridades: os objectivos presentes na Estratégia Europa 2020, incluindo o grande objectivo em matéria de educação; os objectivos do Quadro Estratégico para a cooperação europeia no domínio da educação e da formação 2020 (EF 2020), incluindo os correspondentes critérios de referência; o desenvolvimento sustentável de Países Parceiros no domínio do ensino superior; os objectivos gerais do “Quadro renovado da cooperação europeia no sector da juventude” (2010-2018); o objectivo de desenvolvimento da dimensão europeia no desporto, em particular no desporto de base, em consonância com o plano de trabalho da UE para o desporto; a promoção dos valores europeus, nos termos do artigo 2.º do Tratado da União Europeia.

Para que esses objectivos possam ser alcançados, o Erasmus + materializa-se em várias políticas de acção. A acção 1 (KA1), diz respeito a mobilidade de indivíduos, a acção 2 (KA2) relaciona-se com a cooperação para a inovação e a troca de boas práticas e a acção 3 (KA3) refere-se ao apoio às políticas de reforma.

Sobre o Serviço Voluntário Europeu

Desde 1991 a Associação Académica tem desenvolvido uma ampla política de incentivo ao voluntariado. Em 2013, para ampliar a sua acção nesse campo, iniciámos a nossa acreditação enquanto entidade que recebe, envia e coordena projectos Erasmus +, no Serviço Voluntário Europeu, tendo recebido o primeiro voluntário, no âmbito de um projecto da KA1, em 2014. Temos desenvolvido um grande trabalho para que os jovens madeirenses possam participar em várias iniciativas na Europa, e temos proposto vários projectos para permitir que os jovens de vários países possam trabalhar nos projectos da Associação Académica da Universidade da Madeira, sempre considerando que o principal objectivo de voluntariado é beneficiar as comunidades e localidades onde desenvolverão as suas actividades, através do seu trabalho voluntário e sem qualquer remuneração financeira. Acreditamos que o Serviço Voluntário Europeu é uma ferramenta rica em vivências e experiências, onde todos os candidatos aprovados terão o privilégio de participar nesses projectos, podendo beneficiar as localidades e comunidades onde estão inseridos.

A Associação Académica da Universidade da Madeira tem recebido, desde 2013, vários voluntários que têm colaborado em diversas actividades e iniciativas. Além de poderem desfrutar de uma fantástica experiência que irá contribuir para o seu crescimento a nível pessoal e profissional, têm a oportunidade de interagir com os vários voluntários da Universidade da Madeira e contribuir, de forma única, para o desenvolvimento da comunidade em que estão inseridos.