Peças imprimidas a 3D num foguetão
30 de Maio de 2017.

Erasmus a sobrevivência da UE

Comissão e Parlamento Europeu celebram nesta terça-feira 30 anos do programa de mobilidade que já envolveu mais de 9 milhões de pessoas. Ministro da Educação é um dos homenageados.

Quando há um ano e meio João Costa concorreu a um estágio na Comissão Europeia era um de entre milhares de jovens candidatos a um lugar na sede do organismo, em Bruxelas. Acabou por ser escolhido e acredita que não teria sido “se não tivesse todo o passado de intercâmbios” que tem. “Eu não era apenas mais um jovem com uma licenciatura”, explica. Foi a experiência Erasmus a facilitar-lhe o caminho, uma história que é comum nos últimos 30 anos. O programa tem aberto portas a milhares de jovens e, pelo meio, ajudado a criar uma nova geração de europeus. As instituições europeias celebram esses resultados nesta terça-feira, em Estrasburgo.

Durante o seu curso de Engenharia Biomédica, João Costa estudou uma temporada no Brasil ao abrigo do Erasmus Mundus, que permite intercâmbios para fora da Europa. Depois, durante o doutoramento partiu para uma temporada de investigação em Bordéus. E, pelo meio deste percurso, tornou-se presidente da Erasmus Student Network (ESN) em Portugal, uma rede que apoia os estudantes estrangeiros em questões como a língua, o alojamento ou a integração cultural. Toda esta experiência foi decisiva para conseguir a posição que hoje tem em Bruxelas.

Numa avaliação feita há três anos, a Comissão Europeia tinha já apontado que a probabilidade de os estudantes que passaram pelo Erasmus sofrerem uma situação de desemprego de longa duração é 50% menor face àqueles que não estudaram fora do seu país. Além disso, cinco anos após a graduação, a taxa de desemprego dos que tiveram formação no estrangeiro é inferior em 23%.

Um milhão de bebés Erasmus

A experiência profissional e o contacto com centenas de novas histórias, todos os anos, no âmbito da Erasmus Student Network, fazem com que João Costa seja um entusiasta do programa. O Erasmus “será uma das principais razões pelas quais a União Europeia vai sobreviver”, acredita. Desde logo porque há uma geração-Erasmus que está, literalmente, a nascer: mais de um milhão de bebés nascidos nos últimos 30 anos, segundo a ESN, foram gerados por casais que se conheceram no âmbito do programa.

Não há muitos outros programas europeus tão bem sucedidos e, em tempos de incerteza, as instituições europeias têm colocado esforço nas celebrações dos 30 anos do Erasmus. Nesta terça-feira em Estrasburgo, voltam a sublinhar o seu sucesso, numa sessão plenária do Parlamento Europeu, onde serão entregues os galardões Geração Erasmus+ a 33 europeus — um por cada país participante — que integraram as várias vertentes do programa. Entre eles está o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que durante o seu percurso académico fez um programa de intercâmbio como investigador. O governante será também um dos oradores na sessão.

Notícia do Público de 13/06/2017.