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Dificuldades Económicas

Estudantes denunciam dificuldades e dão algumas respostas para um ensino superior melhor

Um dos pontos mais importantes da missão estatutária da Associação Académica da Universidade da Madeira é a representação dos estudantes da UMa que se materializa, entre outras, pela defesa dos seus interesses e necessidades bem como pela luta e garantia das melhores condições possíveis para a conclusão, com sucesso, de uma formação superior.

Com o objetivo de conhecer a situação socioeconómica dos estudantes cujos interesses representa, a AAUMa tem levado a cabo, desde 2012, um inquérito que pretende analisar e aferir as dificuldades financeiras experimentadas pelos alunos da UMa.

Em 2017 foi realizado um novo inquérito que permitiu identificar quais as dificuldades pelas quais os estudantes da AAUMa passam e enumerar algumas respostas para um ensino superior melhor.

Em traços gerais, a percentagem de alunos que admitiu ter sentido dificuldades económicas subiu 6% face a 3 anos em que esta vinha a decrescer e, apesar de todo o trabalho feito para aumentar os fundos de Acção Social Directa, nomeadamente no aumento do limite de elegibilidade, do valor do IAS e do congelamento do valor máximo da propina, cerca de 30% dos alunos, anualmente, pondera abandonar o Ensino Superior devido a dificuldades económicas.

Política ao nível da dotação pecuniária da acção social escolar 

O valor da bolsa de acção social escolar não adequada é uma das respostas mais apontadas pelos inquiridos. Os resultados obtidos podem assumir duas explicações. Primeiro, o elevado peso dos custos indirectos derivados da frequência de um curso de ensino superior, de que são exemplo, o transporte, o alojamento, a alimentação e o material escolar. Segundo, e devido à revisão do regulamento que introduziu uma alteração ao limiar da elegibilidade que, ao permitir a mais estudantes terem acesso à acção social, refletiu-se numa diminuição do valor médio da bolsa de estudo.

Apoio nas despesas relativas a transportes

O estudante indica que uma das grandes dificuldades que sente relaciona-se com o impacto das despesas com transportes no orçamento familiar. 70% dos estudantes inquiridos indicaram as despesas de transporte como aquelas que possuem maior peso orçamental.

Um dos motivos que conduziu a esta elevada percentagem poderá ser a exclusão que se verifica nas Regiões Autónomas, no acesso dos estudantes ao passe sub23@superior.tp (previsto no decreto-lei n.º 2/2012, de 16 de Janeiro), situação que a AAUMa tem trabalhado, a nível regional e nacional, através de várias acções, incluindo a aprovação de uma proposta no Encontro Nacional de Direcções Associativas, em Março de 2017. A ausência de aplicação deste mecanismo de apoio, além de discriminatória, acaba por penalizar os estudantes insulares.

Atenuar os custos decorrentes da alimentação

Alguns estudantes indicam como o seu maior encargo as despesas com a alimentação. A este respeito a AAUMa propôs a implementação da refeição simples, com um custo inferior à refeição completa (2€ se adquirida na véspera) e a Bolsa de Alimentação, parte da sua política de apoio social que permite o financiamento, semanal, de centenas de refeições para os estudantes da UMa.

Dotar o estudante de competências não formais fundamentais na integração no mercado de trabalho

Sentir-se motivado a definir estratégias e traçar percursos de vida durante a frequência no ensino superior com vista a integração no mercado de trabalho é fundamental para que o estudante não abandone ou adie a formação superior. Este argumento torna-se ainda mais importante quando mais de metade dos estudantes inquiridos indicou não se sentir preparado para a entrada no mercado de trabalho correndo o sério risco de abandonar os estudos e tornar-se um jovem NEET (Not in Education, Employment, or Training).

Os programas promovidos pela AAUMa, como o Universitas, onde se insere o Serviço Voluntário Europeu, podem contribuir para contrariar esta tendência já que mune os estudantes de uma experiência profissional que lhes permitirão adquirir competências e facilitar a transição entre a universidade e o mercado de trabalho.

Formação ajustada às oportunidades de emprego

Uma formação ajustada às oportunidades de emprego é uma das variáveis fundamentais que incentivam um estudante a ingressar e a concluir o ensino superior com sucesso. Apesar da esmagadora maioria considerar a possibilidade de exercer a sua actividade profissional numa área diferente da sua formação académica, assumem que a formação que a UMa oferece é ajustada às oportunidades de emprego que a Madeira oferece se bem que enfatizam a importância de continuar a formação académica, ingressando numa pós-graduação, mestrado ou doutoramento, como forma de enriquecimento pessoal e profissional.

Contrariar o desemprego jovem

Os números do desemprego jovem em Portugal são dramáticos e influenciam os estudantes quando estes definem as suas estratégias de futuro. Adquiri competências e desenvolver capacidades que lhes permitam aumentar a probabilidade de empregabilidade futura começa, muitas vezes, antes do ingresso no ensino superior.

Diversos programas de mobilidade existem e são fundamentais quando o estudante ainda não consegue definir que curso seguir ou, no desenvolvimento de aptidões durante as férias lectivas. Segundo dados das instituições europeias, um participante do programa Erasmus+ duplica as suas possibilidades de conseguir emprego logo no ano seguinte à conclusão da sua formação académica. Nesse sentido, a AAUMa tem enviado vários jovens madeirenses para programas de mobilidade, em vários países da europa.

Consulte aqui os resultados e a análise do inquérito.

Sobre o Universitas

Universitas é o programa da Associação Académica da UMa que congrega a oferta de acções de acolhimento, de acompanhamento e de inserção na vida activa dos futuros, actuais e antigos estudantes universitários. Assente na transmissão de valores, na construção de oportunidades e na valorização da cidadania, desenvolvemos várias iniciativas que espelham a raiz latina do conceito de universalidade, de totalidade, de companhia e de associação do vocábulo universitas. Pretendemos informar os candidatos ao Ensino Superior, através de visitas educativas pelos espaços da Universidade da Madeira; acolher os novos estudantes, com a promoção de actividades de acesso à informação e ao funcionamento da Academia; acompanhar os estudantes e antigos estudantes promovendo projectos e programas nacionais e internacionais que constituam oportunidades de integração na vida activa.

Criado em 2017, o programa Universitas promove a acção de integração dos ​novos ​estudantes do Ensino Superior, pela via da ciência e da cultura, pretendendo dinamizar a procura activa de conhecimento e de competências capazes de garantir o sucesso no mercado de trabalho. Juntam-se ao nosso programa as visitas educativas que são realizadas pelos espaços da Universidade da Madeira, a centenas de estudantes dos Ensinos Básico e Secundários, e a promoção dos programas europeus que se configuram como oportunidades ímpares na construção de um futuro promissor para os jovens madeirenses.

O Apoio ao Estudante, matriz identitária e fulcral da nossa estrutura associativa, é uma componente central do Universitas, exercida através de políticas locais e nacionais. As acções de proximidade, através de uma actuação junto dos estudantes com o apoio ao seu quotidiano académico, são complementadas com uma participação activa nas políticas do ensino superior e da juventude.