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Peixes alimentam-se de plástico

Ao ficarem cobertos de organismos marinhos, os pedacinhos de plástico passam a ser um alvo alimentar dos peixes.

O cheiro do plástico quando colonizado por bactérias e algas no mar leva os peixes a confundi-los com alimento e a ingeri-los, introduzindo-os na cadeia alimentar, avança um estudo de investigadores da Universidade da Califórnia e do Aquário da Baía de São Francisco, nos Estaods Unidos, divulgado nesta quarta-feira na revista Proceedings of the Royal Society B.

A ingestão de plásticos pode ser fatal e leva a uma acumulação de substâncias tóxicas ao longo da cadeia alimentar, quando os predadores se alimentam de presas que ingeriram plásticos. Os cientistas estudaram as reações de um cardume de anchovas na Califórnia (Engraulis mordax) – que se alimentam normalmente de zooplâncton – face a uma mistura contendo partes específicas de plásticos e outra contendo restos de plásticos cobertos de algas.

“Os cardumes de anchovas reagiram ao cheiro de plástico aproximando-se mais”, constataram os investigadores. Os resultados “são semelhantes” aos obtidos quando estes peixes estão na presença de alimento ou são confrontados com o cheiro de alimento, explicam.

Em compensação, as anchovas não reagiram bem aos restos limpos dos plásticos. De acordo com os cientistas, esta observação constitui “a primeira prova experimental de que as anchovas adultas usam o olfacto para encontrar comida” e de que a “assinatura química” adquirida pelos plásticos quando cobertos com organismos marinhos pode levar os cardumes a considerá-los comida.

Estes resultados reforçam a ideia de que animais marinhos podem engolir plástico devido a um “mecanismo químico-sensorial” que os induz em erro. O plástico tem estado a acumular-se nos oceanos nos últimos 50 anos. Já foi encontrado plástico no sal de cozinha. Todos os anos, mais de oito milhões de toneladas de resíduos de plástico são encontrados nos oceanos. O plástico mata, anualmente, cerca de um milhão de aves marinhas, centenas de milhares de mamíferos marinhos e incontáveis peixes.

Segundo a ONU, “se nada for feito e se continuarmos neste ritmo, em 2050 haverá mais restos de plásticos nos oceanos do que peixes”.

Notícia do Público de 16/08/2017.